Secretaria de Agricultura e Abastecimento

Codasp faz 30 anos e se reinventa para crescer

A evolução da agricultura paulista e a mudança no cenário econômico do País impulsionaram um trabalho de otimização e aumento dos focos de atuação da Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que está completando 30 anos com esta denominação. Dona de uma história de 89 anos e várias transformações, ganhou o atual nome em 29 de outubro de 1987 e seu foco tem sido a recuperação e a preservação do solo e da água, mas a atual administração está expandindo o portfólio ao mercado oferecendo serviços ambientais para otimizar a sustentabilidade econômico-financeira da empresa e ampliar a captação de serviços, de acordo com o planejamento para o quinquênio 2017-2021.

O secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, que é presidente do Conselho de Administração da Codasp, lembrou que, há alguns anos, a Companhia começou a dar sinais de saturação. Quando foi indicado para fazer parte do Conselho, em março de 2015, passou a trabalhar com os funcionários para que a empresa conseguisse se reinventar. Recentemente, a Companhia passou por uma reestruturação, imposta pelas circunstâncias de mercado e do País. Foi uma condição para que a empresa, enxuta, pudesse se manter.

O presidente em exercício da Codasp, Alexandre Penteado Pires, afirmou que foi um ato de coragem de Arnaldo Jardim induzir a empresa a se reinventar. A Companhia é referência em seu serviço de adequação de estradas de terra. Por meio do Programa Melhor Caminho, do Governo do Estado, lançado em 1997, e teve sua releitura em 2016 para Programa Melhor Caminho/Pontos Críticos, para ampliar o número de atendimentos, já recuperou 12,76 mil quilômetros de estradas rurais paulistas – equivalente a três vezes a distância para se atravessar o Brasil em linha reta do Chuí, no Rio Grande do Sul, ao Oiapoque, no Amapá – num investimento de quase R$ 800 milhões, em 2.350 contratos.

Para Alexandre Pires, isso reflete o interesse público como um todo, pela mobilidade que as estradas rurais proporcionam aos usuários, pela conservação dos recursos naturais, além do grande auxílio ao escoamento agrícola, com mais qualidade das estradas e mais rapidez. “Considero um privilégio estar à frente desta Companhia tão competente, que considero uma família e tem bons e competentes colaboradores”, ressaltou.

A recuperação de estradas rurais e conservação dos recursos naturais também contribuem para uma agricultura cada vez mais harmônica com o meio ambiente, um dos pilares de sua administração. “Essa é uma determinação do governador Geraldo Alckmin, que é entusiasta do trabalho realizado pela empresa”, afirmou Arnaldo Jardim.

 

Ampliação

O foco na ampliação dos serviços de infraestrutura para o agronegócio paulista, e na sustentabilidade econômico-financeira de suas atividades, motivou o plano elaborado por uma Comissão Interna da companhia, que levou em consideração o momento de reestruturação da empresa.

Alexandre Pires mencionoua criação de uma área comercial, com o objetivo de ampliar a captação de serviços, inclusive no mercado privado e dar maior visibilidade ao trabalho realizado em todo o Estado. “Podemos ser contratados por empresas privadas, prefeituras e, até outras secretarias de governos para executar uma série de obras, não somente em estradas, como muitos pensam”, ressaltou.

A companhia está habilitada a desenvolver trabalhos de recuperação de estradas rurais e manutenção; projetos para conservação de nascentes – com mapeamento de nascentes, projeto individual da propriedade (PIP), projeto de recuperação de matas ciliares, projetos para conservação de mata de entorno, conservação do solo, carreadores internos e saneamento rural.

Além disso, pode realizar terraplanagem em geral; trabalhos de conservação de solo – terraceamento; recuperação de erosões e voçorocas; obras de drenagem de estradas e erosões; desassoreamento de córregos e lagoas; assistência a pequenos agricultores no preparo de solo pré-plantio; aquicultura – construção de tanques para piscicultura; construção de tanques reservatórios de água para abastecimento; construção de lagoas para tratamento de esgoto; restauração florestal (plantio e manutenção); construção de pequenas barragens em propriedades rurais; construção de base preparatória para pavimentação de estradas; conservação permanente de estradas de terra; e abertura de áreas para plantio (com destoca, gradeação e carreadores internos).

Arnaldo Jardim ressalta que com essa nova realidade, agora, o desafio é continuar a buscar indicadores de produtividade e eficiência e descortinar novas formas de parcerias. Exemplo disso foi o engajamento da Codasp no Programa Nascentes de Holambra, Nascentes de Pardinho e Botucatu. Por meio de parceria com o Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), foram plantadas no reservatório de Paraitinga, em Salesópolis, 54 mil mudas – distribuídas em um raio de 30 metros na área de preservação permanente (APP). “A ideia é ampliar parcerias com o objetivo de aumentar as alternativas de financiamento da Codasp que possam ampliar o espectro de atuação dessa companhia tão importante.

 

Rio Batalha

Recentemente, em Bauru, por meio de uma parceria entre a Prefeitura Municipal e a Codasp, com recursos da Agência Nacional de Águas (ANA), estão sendo realizados serviços de terraceamento e adequação de estradas, semelhantes aos executados nos municípios de Holambra, Botucatu e Pardinho, em três glebas, sendo duas em Piratininga e uma em Bauru, com o objetivo de promover o controle das águas pluviais, evitando erosões e assoreamento dos afluentes do Rio Batalha, com o objetivo de promover a infiltração da água e o reabastecimento do lençol freático,além de manutenção de 4,37 quilômetros da estrada rural Bauru-Piratininga.O projeto prevê também cercamento e recomposição florestal das Áreas de Preservação Permanente (APP’s) de nascentes e córregos, com o plantio de 25.186 mudas de espécies nativas arbóreas, distribuídas em nove propriedades rurais da bacia.“É importante ressaltar que as prefeituras e órgãos do governo estadual e federal têm facilidade em contratar a Codasp, por ser uma empresa pública”, destacou Alexandre Pires.

 

Transferência de conhecimento

A Companhia pretende ainda investir em parcerias com prefeituras, usinas e empresas do segmento agropecuário para possibilitar a transferência de conhecimentos e de suas tecnologias. Neste ano já foram realizados cursos para operadores de máquinas, como exemplo, os ocorridos nos municípios de Pederneiras e Taciba, instruindo aproximadamente 50 profissionais de vários municípios. “Dessa forma, o município sairá ganhando, pois na execução de uma recuperação de estrada, por exemplo, a Codasppoderá capacitar sua equipe ao acompanhar os trabalhos junto aos operadores, secretários de obras e fiscais da Codasp, criando um legado de conhecimento para que a manutenção das vias continue sendo feita posteriormente”, disse Alexandre Pires.

 

História

A Companhia de Agricultura, Imigração e Colonização (CAIC), foi fundada no dia 16 de Julho de 1928, como Companhia Geral de Imigração e Colonização do Brasil (CGICB), por meio de uma iniciativa dos acionistas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, com o objetivo de fornecer braços à agricultura, e criar meios para colonizar o país, abrindo espaços para o avanço dos trilhos da estrada de ferro. Com sua sede em São Paulo, a companhia inicialmente tinha o objetivo de se expandir para outros estados, e como seu objetivo era a colonização, foi responsável por trazer imigrantes para trabalhar na lavoura cafeeira.

Em outubro de 1934, a empresa muda seu nome para Companhia de Agricultura, Imigração e Colonização (CAIC), mais adaptado para sua nova atuação, que é voltada ao loteamento de pequenas propriedades, voltadas à policultura de mão de obra familiar e imigrante. No ano de 1958, a companhia muda mais uma vez de nome, passando a se chamar Companhia Agrícola Imobiliária e Colonizadora, mantendo a mesma sigla e a partir deste momento, passa a comprar e vender imóveis rurais.

Foi vinculada à Secretaria da Agricultura, no ano de 1961, e assumiu a execução do Programa de Revisão Agrária. Na década de 1970, passou a se destacar na mecanização agrícola, e a prestar serviços remunerados aos agricultores. Nos anos de 1970, a CAIC passou a se dedicar também ao reflorestamento.

No ano de 1987, a CAIC transformou-se em Codasp tornando-se referência em padrão de qualidade dos serviços de infraestrutura em prol do agronegócio paulista.